Na sequência da aprovação, por unanimidade, da inauguração de um memorial às vítimas do massacre judaico de Lisboa de 19, 20 e 21 de Abril de 1506, a Câmara Municipal de Lisboa vai concretizar essa homenagem no próximo dia 22 de Abril, às 11.00h, no Largo de São Domingos. Projecto concebido pela Arq. Graça Bachman
PROPOSTA N.º 423/2007
MEMORIAL ÀS VÍTIMAS DA INTOLERÂNCIA
Considerando que:
- No ano de 1506, a cidade de Lisboa foi palco do mais dramático e sanguinário episódio antijudaico de todos os que são conhecidos no nosso território;
- Durante três dias, 19, 20 e 21 de Abril, estes acontecimentos, que tiveram início junto ao Convento de S. Domingos (actual Largo de S. Domingos), levaram a que cerca de dois mil lisboetas, por mera suspeita de professarem o judaísmo, tivessem sido barbaramente assassinados e queimados em duas enormes fogueiras no Rossio e na Ribeira;
- Evocar este hediondo crime em que consistiu o massacre de 1506, inscrito numa política de intolerância que, segundo Antero de Quental, contribuiu para a decadência deste povo peninsular, será fazer justiça póstuma a todas as vítimas da intolerância e constituirá uma afirmação inequívoca de Lisboa como cidade cosmopolita, multiétnica e multicultural.
- A pedagogia de combate ao racismo, à discriminação, à xenofobia e a todas as formas análogas de intolerância, constitui um eixo fundamental da democracia e da coexistência pacífica entre os povos.
Os vereadores do Partido Socialista, da Lista “Cidadãos por Lisboa” e do Bloco de Esquerda, ao abrigo da alínea b) do n.º 7 do art.º 64.º da Lei 169/99 de 18 de Setembro, com a redacção dada pela Lei 5-A/2002 de 11 de Janeiro, têm a honra de propor que a Câmara Municipal de Lisboa, na sua reunião de 30 de Janeiro de 2007, delibere:
- Instalar na cidade de Lisboa um Memorial às Vítimas da Intolerância, evocativo do massacre judaico de Lisboa de 1506 e de todas as vítimas que sofreram a discriminação e o aviltamento pessoal pelas suas origens, convicções ou ideias;
b) Esta intervenção contemplará, igualmente, o arranjo da área envolvente e incluirá a colocação, no mesmo Largo, de elementos escultóricos contributos das comunidades católica e judaica;
c) A inauguração do Memorial terá lugar no dia 19 de Abril de 2008, em cerimónia promovida pela Câmara Municipal de Lisboa, para a qual serão convidadas todas as comunidades étnicas e religiosas da Cidade.
Abril 22, 2008 às 3:19 pm
A Igreja Catolica deveria ser julgada em um tribunal pelos crimes que cometeu contra a humanidade.
Este monumento é algo de suma importancia para que esta Igreja que nunca foi cristã seja vista com os olhos da realidade e nao com os da fantasia.
Abril 24, 2008 às 11:30 am
este memoial repoem a justiça tardia do crime ediondo cometido sobre os inocentes mas devia ser mais falado para todo o povo poder prestar homenagem postuma com mais visibilidade
sem mais atenciosamente Serafim Ferreira
Abril 24, 2008 às 12:47 pm
[...] Inauguração do Memorial às Vítimas do Massacre de Lisboa de 1506 [...]
Abril 25, 2008 às 9:39 am
Embora este Memorial aos cristãos-novos portugueses seja tardio, não deixa de manifestar uma reparação adequada pelos governantes sucessores daqueles que permitiram, ou foram incapazes de prevenir e impedir tais situações.
Os descendentes daquelas vítimas judias portuguesas deverão folgar por ter sido feita justiça, ainda que o evento não tenha merecido o total empenhamento da comunicação social.
Esperamos que jamais se repita tal exemplo de xenofobia e repressão à liberdade de pensamento e religião dos povos. Afinal, Cristo veio trazer luz e liberdade ao mundo para que a humanidade vivesse livre, e não para ser amordaçada nas ideias e liberdades justas.
Deus é Soberano, e nós somos o Seu povo.
Maio 12, 2008 às 5:46 pm
Toda lembrança, mesmo que tardia, é válida ao crescer da espécie maior de primatas da barbárie à uma Real Sociedade Humana.
Setembro 26, 2008 às 9:25 am
Tudo o que seja feito jamais apagará da memória os crimes que ao longo de 2000 anos de cristianismo foram cometidos em nome da igreja. Nem apagará da memória os muitos milhões de sacrificados, exilados e forçados a uma religião que não foi ou não é a sua. A vergonha jamais será lavada dos corações de quem cometeu ou colaborou nestes crimes que, ainda hoje continuam a cometer-se. Irónicamente, em nome de D-us.
A decisão da colocação desta placa no Largo de S. Domingos data de 2007. Raramente me desloco a Lisboa, e quando o faço não é, infelizmente, por motivos turisticos. Pergunto: A placa já lá está? Não me parece. Foi mais uma promessa para nunca cumprir. Gostava de a ver inaugurada e que, o Sr. Presidente de República, que na sua visita à Polónia não cumpriu um dever de Honra de visitar o local onde tantos milhões de vítimas do nazismo foram assassinadas, deveria ser o primeiro a dizer. Presente. E honrar a memória dos sacrificados.