Byblos abre segunda-feira ciclo “Letras do Mundo” com Israel
Suscitar a curiosidade sobre novos escritores de outras paragens é o objectivo do ciclo “Letras do Mundo”, promovido pela Livraria Byblos, em Lisboa, cuja primeira edição, dedicada a Israel, começa segunda-feira.
“A ideia é suscitar a curiosidade e o interesse sobre uma literatura já mais ou menos conhecida pelo público-leitor”, explicou à Lusa Jorge Campos da Costa, da Byblos. Segundo o responsável “não faz sentido organizar um evento deste género sobre uma literatura que nos seja absolutamente desconhecida, até pela ausência de traduções”.
A escolha de Israel é justificada por Campos da Costa por ter “uma literatura vibrante e muito viva”, além das comemorações do 60º aniversário do Estado de Israel, que se assinala este ano. O responsável salientou que actualmente vários autores escrevem em hebraico, que foi uma língua sagrada durante dois mil anos e “agora é uma língua da rua e de criação literária”. ”Com o movimento sionista que levou à criação do Estado de Israel, há 60 anos, e ao ressurgimento do hebreu como língua que saiu do templo e veio para a rua”, explicou Campos da Costa.
Lúcia Liba Mucznik, tradutora para português de autores como Amos Oz, David Grossman, Alona Kimhi ou Etgar Keret, que participará neste ciclo, afirmou à Lusa que “a literatura hebraica criou-se ao mesmo tempo que se reinventou a língua”. ”Se a língua é sempre criada pelos escritores, o caso israelita foi mais radical, pois à excepção de alguma poesia, o hebraico estava confinado ao templo”, disse Lúcia Liba Mucznik. A tradutora irá, quarta-feira à tarde, abordar na sua palestra esta questão, nomeadamente “de como se reinventou a língua e se renovou. Até a sintaxe teve de ser modernizada”.
Durante a palestra citará alguns escritores, nomeadamente dois favoritos seus, Aharon Appelseld e Etgar Keret. ”São dois escritores muito diferentes, o primeiro marcado pelo holocausto, o segundo já nasceu com o Estado de Israel criado e escreveu contos minimalistas, com um humor cáustico”, explicou. De Appelseld, Lúcia Liba Mucznik traduziu “Fragmentos de uma vida”.
Segunda-feira, um concerto de música klezmer abre o ciclo com o Quinteto Mucznik, a que assistirá o embaixador de Israel, Aaron Ram. O quinteto é constituído por Ian Mucznik (voz e guitarra), Luís Bastos (clarinete), Nuno Reis (trompete), Filipe Rocha (contrabaixo) e Rui Alves (bateria).
Terça-feira, à tarde, Rami Saari lerá em hebraico poemas seus e Nuno Moura fará a tradução para português. Às 19:00 o escritor judeu Richard Zimler, autor de “O último cabalista de Lisboa”, apresentará uma palestra intitulada “Em busca de identidade: Paralelismos entre a ficção de diáspora e ficção israelita”. O escritor, a residir no Porto, “irá reflectir sobre a identidade judaica, pois há literatura judaica escrita noutras línguas que não apenas o hebreu”, disse Jorge Campos da Costa.
“A literatura hebraica – afirmou Lúcia Liba Mucznik – diferencia-se das outras literaturas antes de mais pela reinvenção da língua, depois porque reflecte o multiculturalismo da diáspora judaica e por outro lado, há a ideia, pelos menos até à década de 1940, de criar o judeu/homem novo por oposição ao judeu do diáspora”. A tradutora falará quarta-feira às 18:30, uma comunicação intitulada “Do Texto Sagrado para a rua: Reflexões em torno da Língua e da Literatura Hebraicas Contemporâneas”.
Neste ciclo participam também os escritores portugueses Lídia Jorge, que falará sexta-feira, sobre a obra “Em carne viva”, de David Grossman, e Rui Zink conversará com o público (04 de Junho) em torno de Amos Oz.
O ciclo encerra dia 05 de Junho, com uma palestra de Esther Mucznik, investigadora de Estudos Judaicos e co-autora e editora da obra “Israel, ontem e hoje”, sobre “Israel ou a Difícil Busca da Normalidade”, estando já previsto “um novo ciclo em finais de Setembro ou princípios de Outubro”, disse Campos da Costa.




