História das Religiões nas escolas II
A história comparada das religiões deveria ser ensinada na escola pública
- defendeu António Reis, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, no decorrer no colóquio internacional sobre “O Contributo das Religiões para a Paz” que reuniu em Lisboa, nos dias 23 e 24 de Junho, destacados líderes e investigadores das religiões.

Esta afirmação/proposta de António Reis, que lembrou também que há um fenómeno crescente de incultura e analfabetismo religioso, surgiu na sequência do debate durante o qual o cardeal-patriarca de Lisboa, que defende igualmente tal proposta, disse que há um longo caminho a fazer no sentido do conhecimento mútuo entre religiões.
Mário Soares, que preside à Comissão de Liberdade Religiosa (CLR), disse por sua vez que, “apesar de Portugal ser um país de maioria católica, há uma enorme ignorância dos portugueses em relação às questões religiosas, incluindo da própria religião católica”. Neste contexto, defendeu também que uma tal disciplina seria “um contributo importante para o multiculturalismo”.
Por isso, e de acordo com texto assinado no jornal “Público” por António Marujo, que aqui resumimos, a CLR “irá estudar o assunto e propor alguma decisão ao Governo, se os seus membros o entenderem”.
Entretanto, ainda antes de qualquer proposta ter sido enviada ao Ministério da Educação, um assessor da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, citado pelo “Público”, adiantou que o ministério “considera a ideia interessante”.
Conhecer o outro é essencial
Na sua intervenção António Reis considerou ainda que o analfabetismo religioso “é tanto mais preocupante quanto é certo que a nossa sociedade é cada vez mais multicultural e que conhecer o outro é essencial para conviver” em tolerância.
Sobre a laicidade, um dos temas em debate, o Grão-Mestre do Gol defendeu que ela é um “princípio fundamental da liberdade religiosa”, mas não deve ser tomada “como bandeira ideológica de grupos de cidadãos”. “Pode haver não-crentes e ateus muito mais anti-laicos do que alguns crentes. São os que pretendem fazer do seu ateísmo uma ideologia do Estado”, afirmou.
A ideia de laicidade, sublinhou, não é património apenas de ateus, agnósticos ou não crentes. Nem a pertença a uma confissão religiosa tem que ser anti-laica. Na mesma linha, o Estado laico “não é crente, não é descrente, não é anti-crente, mas acrente”.
António Reis disse que se opõe a “certas práticas radicais do Estado laico”. Citou a proibição do véu islâmico nas escolas decretada em França ou o uso de símbolos religiosos ou não religiosos. “Proibir é tão grave como obrigar”, disse. Mas advogou o direito de criticar as religiões, como no caso das caricaturas de Maomé.
O Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano afirmou ainda que seria “uma descriminação inaceitável” o Estado proibir qualquer manifestação pública das religiões, confinando-as ao seu espaço interno. Com isso, o Estado “estaria a limitar a liberdade de expressão”.
* Grande Oriente Lusitano





Foi uma das melhores intervenções neste colóquio.