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Culto

A Sinagoga

O termo sinagoga é de origem grega e significa «assembleia». Uma assembleia de dez homens, no mínimo (o «minian»), que se juntam com o objectivo de rezar, pois para o Judaísmo a oração colectiva é essencial.

As sinagogas nascem com a destruição do primeiro Templo de Jerusalém, em 586 AEC. e com o início da diáspora judaica. Desde a sua fundação, elas preenchem uma tripla função: casa de oração, centro de estudos e local de reunião da comunidade.

Mais do que um imóvel, a sinagoga representa uma comunidade espiritual, o centro de uma relação quotidiana com D’us que, para o judeu praticante, começa de manhã com as orações, prossegue durante o dia com o estudo e o cumprimento da Lei e que termina com as orações da noite.

A Arca Sagrada («Aron Hacodesh»)

A arca contém os rolos da Tora (Lei Judaica: os cinco livros de Moisés). A Tora é o elemento mais importante da sinagoga, existindo regras extremamente precisas sobre a forma como estes rolos devem ser escritos. A transcrição de um rolo, que tem de ser devidamente autenticado, representa um trabalho de seis a doze meses.

Cada sinagoga possui vários rolos na sua Arca Sagrada, protegidos por mantilhas bordadas. Os rolos estão resguardados por um cortinado que lembra o cortinado do Templo, que protegia a entrada do Santuário, pois a Tora é símbolo da presença divina.

Normalmente existe uma lâmpada acesa suspensa, face à Arca. Chama-se «Ner Tamid» (luz perpétua) e simboliza a presença eterna de D’us. Esta luz tem o mesmo significado que o candelabro que, antigamente, iluminava o Templo.

A «Tebá»

No centro das sinagogas ortodoxas existe uma mesa coberta por uma toalha bordada, normalmente elevada num estrado. É a «Tebá» ou «Bimá» (pódio). Aí são desenrolados os rolos da Tora para serem lidos pelo oficiante ou «Hazan» (chantre), que reza virado para a Arca Sagrada. A «Tebá» é comparada ao monte Sinai, onde Moisés recebeu as Tábuas da Lei.

A «Mezuzá»

À porta da sinagoga ou de qualquer casa judia, encontra-se a mezuzá’. A mezuzá’ é uma pequena caixa alongada, contendo o rolo manuscrito do Shemá Israel’ (oração que proclama a unicidade de D’us) e de outras passagens da Tora. Fixa-se na ombreira direita das portas e simboliza a protecção de D’us sobre a casa ou a sinagoga. Os judeus praticantes beijam-na ao entrar e ao sair, em sinal de respeito a D’us.

O serviço religioso

No Judaísmo, a actividade religiosa diz respeito a todos. Qualquer judeu, depois de feita a Bar-Mitzvá’, rito de iniciação pelo qual se atinge a maioridade religiosa aos 13 anos, pode conduzir um serviço religioso. O rabino é uma pessoa especialmente conhecedora da Lei, um líder espiritual, mas não é indispensável à condução dos actos religiosos. Do ponto de vista pessoal, casamento, etc., a sua vida não difere dos outros judeus praticantes. Numa comunidade ele é a autoridade máxima sobre os problemas de interpretação da Lei. Responde perante a sua consciência e a comunidade que o nomeou e não perante nenhuma hierarquia religiosa.

O povo judeu é conhecido como «o Povo do Livro». De facto, no centro do culto na sinagoga está a leitura da Tora. A Tora está dividida em 54 secções, chamadas «sidrot» ou «parachot» e cada secção é lida semanalmente ao longo do ano litúrgico que começa no Outono, em «Simhá Torá» (alegria da Tora). Esta festa marca o fim do ciclo anual de leitura da Tora que é feita na sinagoga em cada Sábado e o imediato recomeço desse ciclo. Ou seja, a progressão espiritual não tem fim: tal como a leitura da Tora, esta tem sempre de ser recomeçada…

Objectos pessoais necessários ao culto 

Os objectos pessoais utilizados são: o «Talit», os «Tefilin» e a «Kipá».

O «Talit», que originariamente significa casaco, é um xaile com franjas nas duas extremidades,com o qual os judeus cobrem a cabeça e os ombros durante a oração, exprimindo assim a sua submissão a D’us e à Lei.

Os «Tefilin» (filactérios) são pequenos estojos que se colocam na fronte e no braço esquerdo, contendo um pequeno pergaminho com algumas orações fundamentais, nomeadamente o «Shemá». O fundamento bíblico encontra-se na Tora (Êxodo e Deuteronómio): «Gravai, pois, as minhas palavras no vosso coração e no vosso pensamento, atai-as aos vossos braços, como um símbolo e trazei-as como filactérios entre os vossos olhos.» Assim, no braço esquerdo, junto ao coração e na fronte, junto à fonte do conhecimento, da inteligência e da vontade, os Tefilin lembram ao judeu praticante a sua total dedicação a D’us. 

A «Kipá», ou solidéu, cobre igualmente a cabeça dos homens (mesmo não judeus) na sinagoga, em sinal de respeito a D’us. Este costume vem provavelmente do facto de os sacerdotes, no Templo, se cobrirem na cabeça. As mulheres praticantes, depois de casadas, cobrem a cabeça, na sinagoga.

 

in “Lisboa Religiosa” CML

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