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Adoradores dos assassinos de crianças

Julho 17, 2008

Durante dois anos e quatro dias, as famílias dos soldados Eldad Regev e Ehud Goldwasser agonizaram por notícias. 

Foi encontrado sangue onde o Hezbol-lah os raptara a 12 de Julho, mas mantinha-se a incerteza de lhes ter sido prestado qualquer auxílio médico. ‘Tomar conta’ dos que arriscam a vida por nós é um valor tão arreigado em Israel que nos dispomos a negociar em troca de um sinal de vida. Pagámos um preço elevado por estes nossos filhos, ontem regressados mortos.

Israel libertou quatro membros do Hezbollah e o ‘herói’ Samir Kuntar, um terrorista desprezível que em 1979 arrombou a casa de Danny Haran, fazendo-o e à sua filha de quatro anos, Anat, reféns. Antes de lhe esmagar a cabeça, Kuntar obrigou a criança a vê-lo matar o pai à queima-roupa. Em 29 anos de prisão, este assassino de crianças aprendeu hebraico, casou-se e licenciou-se.O Hezbollah recebe aindaos corpos dos mortos na II guerra do Líbano e em ataques infiltrados. Entre estes, o de Dalal al-Maghrabi, autora do massacre de Coastal Road que vitimou 37 israelitas.

O Hezbollah, organização terrorista patrocinada pelo Irão, continuará obcecado em destruir Israel, desestabilizar o Líbano e idolatrar assassinos. Que não restem dúvidas: se Israel tem como imperativo moral trazer os seus soldados de volta, rejeita qualquer tentativa de legitimar o Hezbollah.

A comunidade internacional tem de reconhecer o perigo que a organização e os seus parceiros representam paraa estabilidade na região e apoiar os que buscam a Paz através do diálogo e do compromisso.

* Aaron Ram (Embaixador de Israel em Portugal)
in ‘Correio da Manhã’ 17-Julho-2008
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Fotos da palestra “Democracy and Terrorism”

Julho 16, 2008

Estão disponíveis na nossa “Galeria” fotos da palestra “Democracy and Terrorism” gentilmente cedidas pelo Institudo de Estudos Políticos da Univ. Católica Portuguesa.

PALESTRA “Democracy and Terrorism”

Julho 9, 2008

Dia 14 de Julho (Segunda-feira) pelas 18:00 horas terá lugar na Sala D. Henrique, O Navegador (IEP) da Universidade Católica de Lisboa uma palestra proferida pelo Prof. Emanuel Gross subordinada ao tema: “Democracia e Terrorismo”. A palestra será proferida em inglês.

O Professor Emanuel Gross é um académico, especialista em Direito Internacional – nomeadamente em Direitos Humanos e nas questões jurídicas da luta contra o terrorismo – tendo estado sempre ligado às Forças de Defesa Israelitas (IDF).

Padaria kosher em Lisboa

Julho 7, 2008

A Comunidade Judaica pode contar agora com uma padaria kosher! A “Padaria Paul Année” produz pão de qualidade usando ingredientes Kosher, permitindo-lhe desfrutar da tradição judaica com toda a confiança.

Situada na Calçada da Picheleira n.º 152A em Lisboa – junto à Rotunda das Olaias

Para mais informações visite o site: http://www.paulannee.org

Serei eu o guarda do meu irmão?

Julho 4, 2008

Dois anos depois de terem sido raptados pelo Hezbollah, os soldados israelitas Ehud Goldwasser e Eldad Reguev voltam finalmente para casa. Provavelmente já mortos. O preço? Fundamentalmente, a libertação de Samir Kuntar preso em Israel desde 1979 e condenado a quatro penas perpétuas pela morte da quase totalidade da família Haran e de dois polícias.

Em 1979, Kuntar chefiou o grupo de terroristas que assaltou o apartamento de Danny Haran no norte de Israel, em Naharya. Fez reféns o próprio Danny, de 28 anos, e a filha Einat, de 4, enquanto a mulher, Smadar se conseguia esconder com a outra filha de 2 anos, Yael. “Nunca esquecerei a alegria e o ódio nas suas vozes”, escreveu ela mais tarde no Washington Post, “eu sabia que se Yael gritasse, os terroristas lançariam uma granada e seríamos todos mortos, por isso tapei a boca da minha filha com a mão, esperando apesar de tudo que ela conseguisse respirar. No meu esconderijo, só me lembrava da minha mãe contando-me como ela se escondera dos nazis durante o Holocausto e pensei : ‘Isto é exactamente como o que aconteceu à minha mãe’.

“Na iminência da chegada da polícia”, continua Smadar, “os terroristas levaram Danny e Einat para a praia. Aí, de acordo com testemunhas, um deles assassinou o Danny com um tiro em frente a Einat para que a morte do pai fosse a sua última visão. Em seguida, estilhaçou o crânio da minha menina contra uma rocha com a coronha da arma. Esse terrorista era Samir Kuntar. Passadas umas horas, quando fomos resgatadas, Yael também estava morta. Na tentativa de salvar as nossas vidas, acabei por asfixiá-la.”

Na longa e dramática reunião do conselho de ministros que no passado domingo decidiu aceitar os termos do acordo de troca de prisioneiros, foi lida uma carta de Smadar Haran, única sobrevivente da sua família. Nessa carta ela referia que Samir Kuntar não era o seu “prisioneiro pessoal” e que não queria que o seu sofrimento impedisse o governo de fazer o que fosse melhor para o país: “mesmo que seja muito difícil para mim, não irei contra qualquer decisão que for tomada hoje. Mesmo que a minha alma esteja dilacerada, e está, o meu coração está intacto.”

Como se sabe, o governo votou por esmagadora maioria o acordo com o Hezbollah, através de mediação alemã. Em troca do que tudo indica que serão apenas os corpos sem vida de Goldwasser e de Reguev e de um relatório do Hezbollah sobre o desaparecimento do piloto Ron Arad em 1986, assim como dos restos mortais de soldados mortos da 2ª Guerra do Líbano, Israel libertará – para além do terrorista Samir Kuntar – mais quatro prisioneiros libaneses e devolverá os restos mortais de dezenas de outros, incluindo oito do Hezbollah. Compromete-se ainda a fornecer ao Secretário Geral da ONU informação sobre quatro diplomatas iranianos desaparecidos e, mais tarde, a libertar prisioneiros palestinianos cujo número e identidade serão decididos por Israel.

Anunciando logo no início da reunião a morte quase certa dos dois soldados,  o próprio primeiro-ministro, Ehud Olmert preveniu: “Não temos ilusões, haverá em Israel tanta tristeza quanto humilhação, tendo em conta a festa que terá lugar no outro lado”. Com efeito, a reacção imediata do Hezbollah foi a de considerar que a libertação de Kuntar “reflecte a força da organização” e “é a prova de que a palavra resistência é a mais fiável, forte e suprema”. Aliás, na cidade de Sídon no sul do Líbano, a Praça dos Mártires já está decorada com fotografias do “herói” Kuntar e faixas proclamam que “a liberdade vem com sangue, não com lágrimas”. Por seu turno, o Hamas já veio a público dizer que a libertação de Kuntar vem dar mais força ao seu próprio combate pela libertação dos presos  palestinianos que têm “sangue nas mãos”.

Exactamente o que previam os chefes da Mossad e do Shin Bet (Agência de Segurança de Israel) que se manifestaram contra o acordo, assim como três ministros (em vinte e cinco) que votaram contra, afirmando que o acordo apenas servirá para encorajar mais o terrorismo.

Mas podia Israel fazer outra coisa? Num país em que um dos princípios sagrados é o de nunca abandonar os soldados feitos prisioneiros, seria difícil outra decisão. Na reunião do conselho de ministros em que também participou, o próprio chefe de Estado Maior do Exército, Gen. Askenazi, afirmou que “como comandante do exército eu sou responsável por todos os soldados, vivos ou mortos. Tenho de olhar para eles, olhos nos olhos, e convencê-los de que o governo tudo fará para os trazer de volta se forem capturados”. A pressão da população também não deixou grande margem de manobra ao governo: na passada semana, em resposta aos apelos directos das famílias dos três soldados raptados, dezenas de milhares de israelitas inundaram o centro de Tel-Aviv, apelando a Ehud Olmert para tudo fazer para assegurar a sua libertação. Também grande parte da imprensa e inúmeras organizações da sociedade civil se manifestaram no mesmo sentido. É que em Israel, a solidariedade não é uma questão teórica ou abstracta. Num país em que não há ninguém que não tenha sido tocado directa ou indirectamente pela guerra ou pelo terrorismo todos sabem que “hoje és tu mas amanhã posso ser eu” e esse sentimento de comunhão de destino é uma das bases em que assenta o sentimento de responsabilidade mútua. A mentalidade indiferente de que “isso só acontece aos outros” não existe, não pode existir no país. É uma das razões pelas quais a população apoiou a decisão de lançar a ofensiva no Líbano em 2006: porque depois do rapto de Shalit, Golwasser e Reguev, o próximo poderia ser “o nosso”.

Este acordo não foi o primeiro, Israel já nos habituou a trocar restos mortais por dezenas e até centenas de prisioneiros palestinianos ou libaneses. Mas a carga emocional com que o país acompanha e vive sempre estes momentos nunca deixa de espantar os observadores estrangeiros. Disse Olmert que “uma nação que se atormenta por causa do destino de um único homem é uma nação forte que forja laços indestrutíveis de obrigação mútua.” Em Israel, contrariamente ao Caím bíblico, todos são, não podem deixar de ser os guardas dos seus irmãos. 

* ESTHER MUCZNIK in “Publico” 03-Ago-2008

(Judia, Socióloga, Vice-Presidente da Com. Israelita de Lisboa)

História das Religiões nas escolas II

Julho 2, 2008

A história comparada das religiões deveria ser ensinada na escola pública

– defendeu António Reis, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano – Maçonaria Portuguesa, no decorrer no colóquio internacional sobre “O Contributo das Religiões para a Paz” que reuniu em Lisboa, nos dias 23 e 24 de Junho, destacados líderes e investigadores das religiões.

Esta afirmação/proposta de António Reis, que lembrou também que há um fenómeno crescente de incultura e analfabetismo religioso, surgiu na sequência do debate durante o qual o cardeal-patriarca de Lisboa, que defende igualmente tal proposta, disse que há um longo caminho a fazer no sentido do conhecimento mútuo entre religiões.

Mário Soares, que preside à Comissão de Liberdade Religiosa (CLR), disse por sua vez que, “apesar de Portugal ser um país de maioria católica, há uma enorme ignorância dos portugueses em relação às questões religiosas, incluindo da própria religião católica”. Neste contexto, defendeu também que uma tal disciplina seria “um contributo importante para o multiculturalismo”.

Por isso, e de acordo com texto assinado no jornal “Público” por António Marujo, que aqui resumimos, a CLR “irá estudar o assunto e propor alguma decisão ao Governo, se os seus membros o entenderem”.

Entretanto, ainda antes de qualquer proposta ter sido enviada ao Ministério da Educação, um assessor da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, citado pelo “Público”, adiantou que o ministério “considera a ideia interessante”.

Conhecer o outro é essencial

Na sua intervenção António Reis considerou ainda que o analfabetismo religioso “é tanto mais preocupante quanto é certo que a nossa sociedade é cada vez mais multicultural e que conhecer o outro é essencial para conviver” em tolerância.

Sobre a laicidade, um dos temas em debate, o Grão-Mestre do Gol defendeu que ela é um “princípio fundamental da liberdade religiosa”, mas não deve ser tomada “como bandeira ideológica de grupos de cidadãos”. “Pode haver não-crentes e ateus muito mais anti-laicos do que alguns crentes. São os que pretendem fazer do seu ateísmo uma ideologia do Estado”, afirmou.

A ideia de laicidade, sublinhou, não é património apenas de ateus, agnósticos ou não crentes. Nem a pertença a uma confissão religiosa tem que ser anti-laica. Na mesma linha, o Estado laico “não é crente, não é descrente, não é anti-crente, mas acrente”.

António Reis disse que se opõe a “certas práticas radicais do Estado laico”. Citou a proibição do véu islâmico nas escolas decretada em França ou o uso de símbolos religiosos ou não religiosos. “Proibir é tão grave como obrigar”, disse. Mas advogou o direito de criticar as religiões, como no caso das caricaturas de Maomé.

O Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano afirmou ainda que seria “uma descriminação inaceitável” o Estado proibir qualquer manifestação pública das religiões, confinando-as ao seu espaço interno. Com isso, o Estado “estaria a limitar a liberdade de expressão”.

* Grande Oriente Lusitano

História das Religiões nas escolas

Julho 2, 2008

Ministério da Educação já recebeu parecer da Comissão de Liberdade Religiosa sobre História Comparada das Religiões

A criação de uma disciplina de história comparada das religiões seria “um contributo importante” para que o “multiculturalismo possa avançar como necessário”, afirmou Mário Soares no encerramento do III Colóquio Internacional sobre Religiões, que decorreu em Lisboa.

A proposta da existência da disciplina de história comparada das religiões seguiu já para o Ministério da Educação, segundo Esther Muznick, vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa que integra a Comissão de Liberdade Religiosa. A Comissão elaborou já um parecer que fez seguir para o Ministério da Educação e em breve “vamos reunir com Maria de Lurdes Rodrigues para concretizar esta proposta”.

Esther Muznick aponta uma “enorme ignorância em torno das religiões”, incluindo a dominante em Portugal. “O ensino nas escolas de história das religiões serve também para que as pessoas saibam a base da sua própria civilização, contrariando a forma como muitas pessoas estão a ser educadas, sem noção da construção da sua civilização”.

A reunião com Maria de Lurdes Rodrigues, ministra da Educação, visa também uma revisão dos manuais escolares “no que diz respeito às religiões” que, explica, contêm “erros”. A vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa sublinha que a questão da educação faz parte da agenda da Comissão.

A vice presidente da Comunidade Israelita de Lisboa presente no III Colóquio Internacional indica que, iniciativas como a que a Comissão de Liberdade Religiosa organizou, “sensibilizam quem participou para que possam também assumir estas tarefas como realizáveis”.

Também o Presidente da Comissão, Mário Soares, destacou no discurso de encerramento que “as religiões encerram problemas complexos mas é preciso manter a coexistência importante para o equilíbrio e para a paz mundial, que é um interesse superior”.

Para combater a ignorância sobre as religiões “inclusivamente num país de tradição secular católica”, Mário Soares adiantou que será editado um livro para que “o que aqui foi dito não se restrinja à memória de cada um”.

O ministro da Justiça, Alberto Costa, também presente na sessão de encerramento, referiu-se à tendência de “pluralização dos mundos” e afirmou que compete ao Estado assegurar “uma função de guardião da tolerância e reconhecer os crentes como iguais e igualmente dignos da atenção e da protecção das leis”.

Alberto Costa afirmou que a “diversidade e complexidade” da existência religiosa nas sociedades “coloca ao Estado democrático uma especial exigência”.

“Não basta a premissa da laicidade e separação que os textos há muito estabelecem. É preciso que ela se concretize num Estado que não possa agir como se esta ou aquela opção religiosa lhe fosse mais amiga ou mais próxima”, declarou.

O Pe. Saturino Gomes, membro da Comissão da Liberdade Religiosa por nomeação da Conferência Episcopal Portuguesa analisa de forma positiva o contributo deste encontro para “um diálogo entre as religiões e a sociedade civil”. A própria participação dos vários líderes religiosos põe em evidência que as religiões são “feitas para o diálogo e para a paz dentro da sociedade”.

Para o Rabino Eliezer Shai Di Martino a palavra “tolerância” vai além de intenções que possam ser partilhadas em encontros como o Colóquio, que reuniu em Lisboa líderes das religiões mundiais, apresentou. “A manutenção da própria identidade é fundamental para as religiões e no seu interior, a prática da tolerância”.

“A relação entre judaísmo e a Igreja Católica foi já apaziguado”, aponta o Rabino, indicando que o memorial do massacre dos judeus, no Largo de São Domingos, “estabeleceu finalmente a paz” entre as duas confissões. “O diálogo inter-religioso é o caminho para evitar conflitos entre culturas”, acrescentou.

A par da disciplina de história comparadas das religiões, outra sugestão ficou na mente dos participantes do Colóquio. René-Samuel Sirat, Vice-Presidente da Conferência Europeia de Rabinos sugeriu a criação de um G8 que congregue líderes religiosos para a promoção da compreensão entre os povos, apesar de admitir ao jornal Público que “há ainda muito caminho a percorrer”.

Fim de um ciclo

O III Colóquio Internacional sobre Religiões terminou de forma simbólica no Largo de São Domingos, em Lisboa, onde o Grão rabino René-Samuel Sirat fez uma oração junto ao memorial evocativo da intolerância religiosa que há mais de 500 anos o povo judeu foi alvo.

Este acto simbólico termina um ciclo, pois foi precisamente o rabino René-Samuel Sirat que, há oito anos atrás, “iniciou o processo que deu origem ao memorial dos judeus”.

Concordata

Comentando as declarações do Ministro da Justiça que indicou “estar para breve a apresentação de alguns ante-projectos no âmbito da regulamentação da Concordata referentes à assistência religiosa nas prisões, hospitais e quartéis”, o Pe. Saturino lembra que apesar da brevidade anunciada “haverá ainda outros diplomas que ficam de fora”.

Questões fiscais, o ensino da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, o estatuto da Universidade Católica Portuguesa, a “caracterização e definição de fins religiosos estabelecidos na Concordata com implicações fiscais”, ou ainda o património cultural são algumas questões que envolvem “o governo e a Santa Sé e que pedem ainda um esclarecimento”, evidencia o Pe. Saturino Gomes.

* Agência Lusa e Agência Ecclesia