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Princípios

O Judaísmo

O Judaísmo baseia-se num monoteísmo unitário estrito; isto é, na crença num único e indivisível Deus. Segundo a fé judaica, Deus é Omnipotente (todo-poderoso), Omnisciente (tudo sabe) e Omnipresente (está em todo o lugar). É ainda uma Realidade não-física, sem forma corpórea, sendo impossivel a sua representação.

O Judaísmo é uma lenta e continuada construção colectiva com origens em Abraão, Jacob, Moisés, e os reis: David e Salomão. Traduz e ilustra os percursos geográfico e espiritual de um grupo familiar alargado e seminómada, que, ao partir da Mesopotâmia em direcção a Canaã, estabelece a primeira Aliança familiar entre Deus, Abraão e Sara sua mulher, num percurso iniciático colectivo que leva à interiorização da ideia de um Deus Universal, e à geração dos 12 patriarcas das 12 tribos de Israel.

Apesar de todas as vicissitudes, quando o êxodo do Egipto acontece, já existe um povo com uma identidade nacional que, numa fuga permitida por Deus, é guiado pelo profeta Moisés, e estabelece uma nova Aliança com Deus, num território e com uma Lei: A Tora. A conquista do território e consequente sedentarização das tribos, permitem o surgimento de dois reinos: o de Israel, no Norte, e o de Judá, no Sul. A Arca da Aliança, depositária das tábuas da Lei, que Moisés recebera de Deus no deserto, é guardada no Templo de Jerusalém.

A centralidade de Jerusalém

Jerusalém é, sem dúvida, a cidade mais estudada do mundo, pois é a Cidade Santa de três religiões: Judaísmo, Cristianismo e Islão. Para o mundo judaico, Jerusalém é o centro dos centros, a base do quase-mítico reino de David e Salomão, o local onde se centrou o culto no Templo de Jerusalém, o local onde todas as instituições políticas e religiosas da sua cultura tiveram sede. Os judeus ortodoxos aguardam ali a vinda do Messias, para darem início à reconstrução do Templo.

Jerusalém foi um lugar onde Deus apareceu á Abraão, facto que explica a centralidade dessa cidade para as religiões abraamicas. A história da cidade diz-nos que, apesar de ser considerada como sagrada, foi simultaneamente cidade de ódio, de desolação e de guerra. Esteve cercada mais de 50 vezes, conquistada em 36 ocasiões e destruída em 10 delas. As primeiras muralhas da cidade datam do século XVIII a.e.c.

Os Escritos Sagrados (a Lei)

Após a expulsão dos Judeus da Terra Prometida e da destruição do Templo, estes passam a frequentar um outro espaço ritual simbólico, a sinagoga, sob a direcção dos Rabinos. Como responsável pela reflexão e condução religiosa do povo, a autoridade rabínica (linhagem judaica dos fariseus) sentiu necessidade de fixar, sob a forma escrita, a Tora oral (Tora shebéal) que Moisés, segundo a tradição, também recebeu no monte Sinai, e que inclui basicamente a Mishná (preceitos) e a Guemará (explicações e interpretações rabínicas da Lei), constituintes do Talmude, de que existem duas versões: o Talmude de Jerusalém, ou Palestino, formado nos séculos III/IV, que foi editado pelo Rabi Yochanán; e o Talmude Babilónico, dos séculos III/V, pelo Rav Ashi e Ravina. Os textos sagrados da tradição escrita estão agrupados num grande conjunto designado pelo acrónimo TaNaCH, correspondente à Tora (Lei Escrita), Nevi’îm (Livros Proféticos) e Ketuvîm (Livros Sapienciais). 

A identidade

A religião e a identidade judaicas estão de tal forma inter-relacionadas que as fases da vida de cada judeu  o nascimento, a maioridade religiosa, o casamento e a morte  estão marcadas por um ritual religioso próprio.

A Lei Judaica considera judeu todo aquele que nasceu de mãe judia, ou se converteu de acordo com a Lei Judaica. Recentemente, os seguidores da Reforma Americana e do Reconstrucionismo têm incluído também as crianças nascidas de pai judeu e mãe gentia, desde que educadas de acordo com a religião judaica.

Um judeu não-praticante do Judaísmo continua a ser considerado judeu. Um judeu que não aceite os princípios de fé judaicos e se torne agnóstico ou ateu também continua a ser considerado judeu. No entanto, se um judeu se converte a outra religião perde o lugar como membro da comunidade, transformando-se num apóstata.

Apesar deste rótulo, e embora a pessoa esteja fora da comunidade judaica e tenha ideias religiosas diferentes, para uma boa parte das autoridades em Lei Judaica, essa pessoa continua a ser judia. 

 

in “Lisboa Religiosa” CML

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